segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Que A Mídia Poderia Fazer?

Este ano de 2010 testemunhou mudanças no clima global e os cientistas falaram em cronogramas cada vez mais apertados quanto a expectativas ameaçadoras para a vida planetária no modo como a conhecemos. As pessoas comuns pouco puderam captar das mensagens nos jornais televisivos em função de suas atribuições e atribulações, na dura tarefa de "ganhar a vida", que pode ser traduzido para o português cotidiano como "pagar as contas".

O que fariam se tivessem maior clareza do que realmente acontece no planeta e o que poderiam fazer? O exemplo que toca a todos é o uso e abuso dos recursos hídricos. Quando muito a mídia informa aos acessados pelos diversos meios, a economizar água no banho, ao escovar os dentes, ao lavar pratos, na lavagem de carros, etc. Argumentam que só um ínfimo percentual da água do planeta é potável, que a maioria está indisponível para o consumo e assim por diante. Todos sabem. 

Esquecem de informar sobre o ciclo das águas. Nesse processo de evaporação, condensação em forma de chuvas e nova evaporação, toda água do planeta está disponível, por que a água é um recurso renovável. Ela vai e ela volta num ciclo contínuo e eterno. O que realmente ocorre é o mau uso das áreas onde toda essa água é armazenada, ou seja, lagos, nascentes e rios, sem falar no próprio mar. SUJAMOS esses reservatórios naturais por que não tratamos nossos esgotos e os jogamos no corpo de água mais próximo, além de lixos e toda a espécie de contaminantes que produzimos para "viver melhor". Com isso reduzimos ou eliminamos drasticamente nossos reservatórios e tudo que a mídia nos diz é que economizemos água. Isso no máximo pode ajudar a empresa responsável pelo fornecimento a continuar fazê-lo sem sobressaltos, e sem ser obrigada a investimentos em curto prazo, garantindo a qualidade e continuidade do fornecimento com o mínimo esforço.

Seria muito mais útil informar a população a necessidade de preservação desses corpos de água, através de cobrar dos poderes públicos investimentos em saneamento básico e nos tratamentos dos esgotos, algo previsto em lei, porem pouco praticado. Nas campanhas políticas centralizaram o discurso ecológico quase unicamente na devastação da floresta amazônica, um lugar longe, mas esquecemos, e querem que esqueçamos, os problemas mais próximos, os quais poderíamos monitorar as realizações.

Além de uma maior participação popular pela educação ambiental, quando cada um faz a sua parte, o exercício da cidadania ecológica, pela ativa cobrança aos lideres comunitários e partidários na aplicação da lei ambiental, seria um caminho mais efetivo na transformação de nosso modo de gestão dos recursos hídricos, sendo a mídia um meio poderoso de disseminação de uma consciência cidadã mais harmoniosa com o ambiente.  Cidadania, a gente não vê por aqui.