Se refletirmos com cuidado, perceberemos que a riqueza ou o ganho econômico não vem da exploração dos recursos naturais, mas da dedicação em agirmos para aumentar os recursos do lugar. A exploração da natureza gera riquezas pôr certo tempo, mas depois, em algum momento, vai refletir em pobreza, pois esgotados os recursos, acaba-se a fonte de dinheiro, enquanto que, se agirmos para aumentar a vida do lugar, sempre teremos mais recursos
de qualidade e poderemos usufruir deles indefinidamente.
A agricultura, pela área que abrange e pelas práticas que utiliza, é tida como uma das atividades humanas mais impactantes ao ambiente. Desse modo, as áreas de fronteira agrícola rapidamente se expandem, substituindo a vegetação natural pela paisagem antrópica, menos complexa em quantidade e qualidade de vida.
Numa paisagem agrícola as árvores são consideradas um obstáculo que impede o progresso.
Nesse sentido, o ser humano, freqüentemente, coloca-se à parte da natureza para agir sobre
O ambiente. O resultado de suas ações, muitas vezes, é a destruição e a diminuição das condições necessárias para a vida, efeito que reflete em redução da sua qualidade de vida, já que dependemos diretamente dos recursos naturais. Mesmo quando se está preocupado com
a questão ambiental, o homem, com sua visão fragmentária de enxergar o mundo, separa a paisagem em áreas de conservação, que devem ser intocadas e mantidas no seu estado “natural puro” (que são os Parques, as Reservas...) e em áreas para produção, onde geralmente ocorre degradação dos recursos naturais.
Quando o ser humano se sentir mais parte da natureza e realmente integrado à ela, suas ações serão mais harmônicas, em direção à manutenção e até à melhoria das condições para a vida no local.
No entanto, observa-se grande resistência em se manter essas áreas protegidas, resultante da mentalidade imediatista e exploratória vigente. Essa mentalidade é justamente a que prevalece e a que se mostra ao depararmo-nos com extensas áreas devastadas pelo “progresso” e ainda algumas poucas
mantidas sob proteção nas Unidades de Conservação.
Ao buscar a sustentabilidade na agricultura e, mais do que isso, ao buscar a conservação dos recursos naturais, a paisagem deverá ser vista como um todo e integrada, onde os limites não são mais as cercas, mas os naturais, respeitando e compreendendo os condicionantes e ritmos da natureza,
buscando os princípios ecológicos para referendar suas ações.
As árvores nos proporcionam um amplo leque de produtos (madeiras, produtos medicinais, etc.) e serviços (sombra, proteção do solo e das águas, manutenção da fer tilidade natural do solo, efeito regulador
sobre o clima, etc). A destruição em grande escala das florestas, bem como a eliminação das árvores nas paisagens rurais, acelera a erosão da terra, contribui para o assoreamento dos cursos d’água e aumenta a pressão humana sobre o que está sobrando da Mata.
As nossas ações a favor da conservação da natureza não devem ser pôr imposição da lei ou vistas como obrigação ou dever, mas sim a partir de uma consciência de que nossa vida depende da vida das plantas e dos animais, de água pura, da terra produtiva e do ar limpo. Mais do que essa compreensão
de dependência é necessário ainda sentirmos que somos parte da natureza, como realmente somos.
Agroecologia é entendida como um enfoque científico, teórico, prático e metodológico, com base em diversas áreas do conhecimento, que se propõe a estudar processos de desenvolvimento sob uma perspectiva ecológica e sociocultural e, a partir de um enfoque sistêmico, adotando o agroecossistema como unidade de análise, apoiar a transição dos modelos convencionais de agricultura e de desenvolvimento rural para estilos de agricultura e de desenvolvimento rural sustentáveis (Associação Brasileira de Agroecologia - ABA).
Os Índios sempre viveram em harmonia com a natureza em sistemas agroflorestais. A agroecologia indígena considerada a bem pouco tempo como uma forma de extrativismo primitivo, pouco produtiva, hoje é respeitada, estuda por especialistas e inserida nas políticas publicas para implantação desses sistemas junto a agricultura familiar, como única alternativa de sustentabilidade para a garantia alimentar do campo e da cidade.
Fontes:
Manual Agroflorestal para a Mata Atlântica
APOSTILA DO EDUCADOR AGROFLORESTAL
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